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O Futebol do passado

Kita

No dia 3 de setembro de 1986, numa quarta-feira, no Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi,Internacional de Limeira e Palmeiras faziam a decisão do Campeonato Paulista daquele ano e o time do interior levou a melhor ganhando por 2 tentos a 1.Com essa conquista, o seu primeiro e único título, tornou-se a primeira equipe do interior a ser campeão paulista.

O Jogo

PALMEIRAS 1 X 2 INTERNACIONAL
Data: 03/09/1986
Campeonato Paulista / 2º jogo da decisão
Local: Estádio Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi).
Árbitro: Dulcídio Vanderley Boschilla.
Público: 68.564.Renda): Cz$ 2.443.610,00.
Gols: Kita 50, Tato

54; Amarildo 74
PALMEIRAS: Martorelli, Diogo (Ditinho), Márcio, Amarildo, e Denis, Lino (Jorge Mendonça), Gerson, e Jorginho, Mirandinha, Edmar, e Éder / Treinador: Carbone.
INTERNACIONAL: Silas, João Luís, Juarez, Bolívar, e Pecos, Manguinha, Gilberto Costa, e João Batista (Alves), Tato, Kita, e Lê (Carlos Silva) / Treinador: Pepe.

O Craque: Kita
Na metade dos anos 70, João Leithardt Neto, o Kita, era um menino grandalhão, de apenas 15 anos, e já fazia seus gols vestindo a camiseta do time adulto do Gaúcho, da cidade de Passo Fundo, distante 300km da Capital gaúcha.
Hoje, 32 anos depois, carreira encerrada e com um currículo que inclui passagem por mais de uma dezena de clubes e títulos em quatro estados do país, um dos maiores goleadores já surgidos no Rio Grande do Sul está de volta à pacata cidade interiorana, agora como dono de uma locadora de filmes.
O pequeno empreendimento, que ganhou o nome fantasia de “Kita Vídeo”, é administrado pela família e ajuda no sustento de seus cinco integrantes: Kita, a esposa, e os três filhos, dois deles – Camila, 19 anos, e Guilherme, 18 – cursando a faculdade de Educação Física. O mais velho, Alexandre, 24, cuida da locadora enquanto busca colocação em uma ci

dade pequena, que não oferece muitas opções de emprego.

A dedicação exclusiva à “Kita Vídeo” é coisa nova na vida do ex-atleta. Até o último dezembro ele era funcionário da Secretaria de Desporto do município, cargo que ocupou durante oito anos, como integrantes das fileiras do PSDB de Passo Fundo. Mas na última eleição o PDT assumiu o comando e, embora tenha feito uma composição com o partido do qual o goleador era simpatizante, ele foi um dos tantos servidores que teve de abandonar a administração.
“Faz parte do jogo”, afirma Kita, sem demonstrar maior revolta pela decisão que o fez perder o cargo. Até porque seu sonho nunca foi o de se envolver tanto com a política. O desejo maior, sempre, foi o de continuar ligado ao futebol, mas após parar de jogar, há dez anos, nenhuma porta se abriu.
“Cheguei a procurar alg

umas pessoas importantes e influentes, como o Dunga e o Gilmar (o volante e o goleiro foram seus companheiros) mas não me deram resposta”, lembra Kita, que teve ao lado da dupla um dos melhores momentos de sua carreira, quando ajudou o Brasil a conquistar a medalha de pratas nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984.
O primeiro título e a medalha

A participação nos Jogos Olímpicos de Los Angeles foi decisiva para marcar o ano de 84 de forma definitiva na mente de Kita. Goleador do Campeonato Gaúcho do ano anterior, quando fez 15 gols com a camisa do Juventude, ele foi contratado pelo Colorado no começo da temporada. Já conhecia os dirigentes do clube da capital e tinha para com eles uma dívida de gratidão, já que, no passado, quando ainda estava no interior do Estado, teve de tratar de uma lesão grave no joelho – rompimento dos ligamentos cruzado e interno – e recebeu todo o antendimento necessário no Beira-Rio.
Assim, curado e em grande fase, chegou ao Internacional com um entusiasmo de principiante, embora já estivesse com 26 anos. Ajudou o time a conquistar o Campeonato Gaúcho, viajou

com o clube para o Japão e conquistou a Copa Kirin, e para completar o ano, voltou de Los Angeles com uma medalha de prata no peito. O time, que tinha como base o Inter gaúcho, fez sucesso. Nunca uma Seleção Brasileira chegara tão longe.
“Foi um grande ano, mas eu tive muitas outras alegrias depois disso”, comenta o jogador, que – exceção feita àquele problema no joelho, na juventude – foi sempre um exemplo de gana e força física. Um folder que o Inter publicou naquele 1984, traduzido para o inglês, para mostrar o clube e seus atletas no mercado asiático se referia a ele como o “Homem de Aço”.

A surpreendente campanha na Inter de Limeira

Em 1985, o Inter per

deu a hegemonia no futebol gaúcho para o Grêmio e houve um desmonte do grupo de jogadores. Vários jogadores se mandaram de Porto Alegre e passaram a atuar em grandes clubes do país. Dunga, por exemplo, foi para o Corinthians. Kita, entretanto, acabou na Internacional de Limeira, o que, para muitos, representava o início de sua decadência. Engano.
Kita não foi apenas o artilheiro do Paulistão de 1986, com 24 gols, como também o mais importante jogador do time que derrubou todos os grandes e ficou com o título estadual da temporada. Uma conquista que alavancou de novo a carreira do grandalhão Kita, 1,86m e mais de 90 quilos.
“Pena que nos anos 80 não se ganhava tanto dinheiro como hoje”, lamenta o ‘homem de aço’ do Pampa, dizendo que se atuasse hoje e computasse tantos gols e tantos títulos, estaria rico.

“Em 1986 fui para o Flamengo e lá também fui campeão, em 1989 coloquei mais uma faixa de campeão gaúcho, então pelo Grêmio, e em 1990 campeão paranaense com o Atlético”, relaciona, com orgulho.
Aquele título conquistado com o Furacão foi o último. Uma temporada que lhe deu motivo para euforia? Nem tanto. Apesar da alegria dentro de campo, um fato político/econômico esculhambou com sua vida e fez sumir suas economias. Todo o dinheiro que guardava numa poupança, esperando a aposentadoria, foi confiscado pelo governo Fernando Collor de Melo. Um balde água fria na cabeça do jogador. “E o pior é que eu havia votado naquele homem”, relembra Kita, com tristeza.
De volta ao começo Com o dinheiro congelado e já aos 32 anos de idade, João Leithardt Neto ainda correu atrás da bola em mais quatro temporadas. Foi para o Figueirense (SC), retornou ao Sul, para jogar no pequeno Guarani de Garibaldi, cruzou pelo Esportivo e finalmente, de volta à casa, jogou no Passo Fundo.
Reestabelecido na cidade natal, foi acolhido por amigos envolvidos com a política local, e a locadora que inicialmente funcionava na capital do Estado transferiu-se para o interior. Ela tem sido uma válvula de escape para Kita. Agora sem o cargo na Secretaria de Desporto, tem pouco o que fazer, e acaba aproveitando para ver muitos de seus próprios filmes.

“Só não gosto de romances, esses filmes ‘água com açúcar’, cansativos”, afirma. Gosta mesmo é de uma boa aventura, ficção científica, suspense, guerra. Faz mais o estilo de quem sempre teve como característica muito vigor físico e uma qualidade técnica nem tão apurada assim. Um goleador que começou a carreira um tanto desacreditado, chegou ao Inter para fazer sucesso quando já não era tão jovem, e que conseguiu resultados inesperados no centro do país.
O futebol lhe deu

o que tem e, espera, lhe dê ainda mais. Ele espera que alguma porta se abra. Até lá, sonha. E de vez em quando bate bola com os veteranos no Inter, em gramados do interior do Estado. Os mesmos campos onde tudo começou.
Nico Noronha, do Pelé.Net

Nascimento: 06/01/1958Local: Passo Fundo / Rio Grande do Sul
Clubes- Gaúcho de Passo Fundo (1975 a 1977)- 14 de Julho de Passo Fundo (1978)- Criciúma (1979)- Brasil de Pelotas (1980)- Juventude (1981 a 1983)- Internacional-RS (1984 e 1985) – Inter de Limeira-SP (1985 e 1988)- Flamengo (1986 e 1987)- Portuguesa de Desportos (1988)- Grêmio (1989)- Atlético-PR (1990)- Figueirense (1991)- Guarani de Garibaldi-RS (1992)- Esportivo-RS (1993)- Passo Fundo (1994)
Títulos- Campeonato Gaúcho, Inter-RS (1984)- Medalha de Prata – Olimpíada (1984)- Campeonato Paulista, Inter-SP (1985)- Campeonato Carioca, Flamengo (1986)- Campeonato Gaúcho, Grêmio (1989)- Campeonato Paranaense, Atlético-PR (1990)

março 23, 2011 - Posted by | Arquivos do Futebol, Ídolos do Futebol, do fundo do baú

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